Cais em cima de mim, mas não me chegas... Não me molhas. A minha aura está carregada, iridescente, a 20cm da minha cabeça e corpo... Rodeia-me esta nuvem de um sem fim de considerações, projecções e conjecturas. Ou apenas de cansaços e desassossegos.
Enfim molhas-me, amainas-me, amacias-me e chegas-me à pele... Até adormecer, até tremer de frio e acordar. Lavas-me, tal mãe misericordiosa, paciente e tolerante que não sei ser. Adormeço no teu afago... Não sei se é lá fora ou cá dentro que chove, que troveja, que tempesteia. Mas o dia tem muitas estações, e ora faz sol, ora enubelece, ora o vento instiga as minhas janelas, parecendo irado, outras vezes apenas chamando a atenção...
E logo calas, o silêncio, a paz... Mas fica o preenchimento da cor, do sentimento. Revolta só é revolta com ira, com injecções de intenção e propósitos; quando passa invade a tristeza, a apatia, a desdita da incompreensão... Afinal o que aconteceu aqui?
Não sei, mas vou para fora.
E afinal era tudo eu...




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