08 Maio 2012

Chuva que teimas em cair

Cais em cima de mim, mas não me chegas... Não me molhas. A minha aura está carregada, iridescente, a 20cm da minha cabeça e corpo... Rodeia-me esta nuvem de um sem fim de considerações, projecções e conjecturas. Ou apenas de cansaços e desassossegos. 
Enfim molhas-me, amainas-me, amacias-me e chegas-me à pele... Até adormecer, até tremer de frio e acordar. Lavas-me, tal mãe misericordiosa, paciente e tolerante que não sei ser. Adormeço no teu afago... Não sei se é lá fora ou cá dentro que chove, que troveja, que tempesteia. Mas o dia tem muitas estações, e ora faz sol, ora enubelece, ora o vento instiga as minhas janelas, parecendo irado, outras vezes apenas chamando a atenção...
E logo calas, o silêncio, a paz... Mas fica o preenchimento da cor, do sentimento. Revolta só é revolta com ira, com injecções de intenção e propósitos; quando passa invade a tristeza, a apatia, a desdita da incompreensão... Afinal o que aconteceu aqui?
Não sei, mas vou para fora.
E afinal era tudo eu...

04 Maio 2012

The path *O caminho


É assim... A direito, só me resta percorrê-lo, com mais ou menos medos. Mais ou menos certeza. Espera, certeza? Tenho-a. Garantias é que não. E se tudo não passa de um teste, de uma tremenda lição? Não posso comprometer-me com isso... Ou posso? Até que o destino nos doa?
Vou em frente, sempre me estendes a mão, seguro. "Vem", dizes-me. Caminho só dos dois. E eu tropeço, hesito, estremeço. Tudo parece tão perfeito... A perfeição existe? O amor existe? Parece que sim. Ou ludibrio-me? Algo me ilude?
Não tenho dúvidas, estou aqui. Atenta, vigilante. Consciente. Isso basta-me. Mas tu não sabes... Tu não ouves os silêncios que eu oiço, as premonições que sinto. Convalesço... E se tudo é um teste? Não vês os pequenos nadas... Observas os grandes tudos. Não é o tudo que me dá segurança, antes atemoriza-me... Essa grande imagem do todo. E se eu chegar lá? O que há a temer depois?
Não me dás esperança, não me dás fé... Dás-me um todo. Dás-me o retrato da felicidade. E o caminho até lá... Mas também questionas o difícil, o não garantido, aquilo que surge, a possibilidade de alguma coisa. E eu estremeço... Será? Será que tens razão? Será que só desconfias? Ou também (des)acreditas?
Hesito, paro e reflito. O que me pedes? O que pretendes? Pensava que me tinhas... Será que eu me tenho? Estou cá, estou íntegra, estou inteira. Desconcerto-me, desalinho-me, a minha alma pede liberdade, tu pedes compromisso. A liberdade vive-se dentro do compromisso... Mas tu não podes saber disso. Tu não sentes, tu não sabes, tu não vês... O que se vive no infinito não é feito de certezas, é feito de construções, desarranjos, furacões e torvelinhos. E ufa, é tempo de respirar novamente.
Eu estou cá...
Eu quero estar cá.
Eu decido (sempre) ficar.
E amanhã é um novo dia...

27 Abril 2012

1, 2, 3... O passarinho voou

1, 2, 3, pensamos que tudo está bem.... 4, 5 e 6, mas afinal não está. Estava, até há um tempo, minuto, atrás. Palavra atrás... Significado à frente. Não se entende. A conservação do estado, como se faz? Faz-se de impossíveis gestos, mudos sussurros. Inspirações cegas e mancas afirmações. Um desmoronar das certezas, sentimentos que se fazem de poeiras. A felicidade é isso, estática. Parada naquele momento de infinitas possibilidades, infinitas alegrias e esperanças... Aí somos crianças, sonhamos novamente. Apostamos vidas, apostamos vitórias e corridas, que no final não chegam a lado nenhum... Porque de certezas se faz o ar, vêm e vão... Tal pássaros fugidios, languinosos, que nem piam. 1, 2, 3, o que era já foi... 4, 5, 6 voltará a ser? Dúvidas, certezas que o passado já era. O futuro quem sabe? O presente é apenas isso... 1, 2, 3? What's next?

24 Abril 2012

Desilusões e segundas chances: o fardo de ser mulher

Vais às arrancadelas por essa estrada afora, cara amiga. Não sabes nem queres saber, tens medo. Curvas e contracurvas, são apenas o antemão de um amanhã menos ensolarado.
Temes o que encontrarás ao virar da esquina, e encontras. O bicho mau, o papão. E assustas-te por um momento. Um só momento... Breve o suficiente para saberes que te feriram, que foste atingida, sem dó nem piedade. Aquela bala de prata, que se infiltra, cujo chumbo se dissolve no teu sangue... Como um veneno, que corrói, que permeia as tuas células, outrora puras com a força da crença que agora viste usurpada...
Ocupas o momento dos teus dias a limpar a ferida, a sangrar esse sangue impoluto que ferve, que corrói o sentimento, o amor, a emoção.
Feres-te. Segundas oportunidades, dias mais e menos felizes. É por fases... A cura, processa-se por fases. Uns dias melhores que outros. E é às arrancadelas, acreditas, confias, pacificas. Novamente desistes, desiludes-te, exiges uma explicação, uma lógica ilógica para ti.
Um descredibilizar, uma arma apontada ao reverso, um virar de costas, uma lágrima oculta, ocultada. E amanhã é um novo dia... Uma nova oportunidade de remendar o que não tem emenda. O que só acontece uma vez ou não. Acreditas. Desacreditas. Que dragão alimentas?
Aquele que luta? Aquele que se recolhe à gruta? Aquele que estrebucha e recusa. Aquele que introspecta e reflete, adormece... O que separa ou o que afasta? 
Segundas chances. Desilusões. Ser mulher. Acreditar, confiar, amar, perdoar... Tarefas hercúleas, impostas por séculos e séculos de mães, irmãs e mulheres; grandes senhoras, grandes dores. Aquela que compreende, que aceita, tudo assiste... Papel rasurado nos milénios terrestres.
Falemos de gravidezes, menstruações, cólicas e outras que tais. Educadora por natureza, excelência. A que reflete, cura todas as mágoas, todas as feridas, só pela força do querer.
Queres o suficiente mulherzinha? Permites-te a tarefa?
Lambe as feridas e continua. Há outras aventuras ao virar da esquina. 

16 Abril 2012

Movimento atabalhoado do coração

Porque não há um presente, passado, futuro. Tudo é um Só, e uma mesma coisa. Envio esperança para ti, criancinha, mulher, adulta, adolescente... Que esperas sem esperança. Ou esperança sem espera? Atrasas-te no sentir, adiantas-te no querer. E o tempo corre ao encontro da mulher que serás, alcançando o esperado momento.
Movimentos de ventrículos, sístoles, diástoles... Contracção, descontracção; mais contracção que descontracção. O controlo, o medo. A libertação... Quantas décadas foram precisas para chegar aqui? Certamente que muitas mais do que as vivi. Guerras, terramotos, invasões, principados e arabescos... Muitas são as nossas vidas; idas e vindas. Todos chegamos a algum lado... A alguma conclusão, a algum fecho de história. E olhamos para trás, sorrimos e enviamos alegria para esse ponto no tempo onde tudo está escuro... Onde tudo está velado...
E o coração continua a bater, aqui e acolá. Arritmias, taquicardias, sangue venoso a entrar, sangue arterial a sair. E é tudo um fluxo... Um refluxo, um vai e vem. Entramos e saimos da vida; das vidas que nos acompanham, em espírito ou presença... Uma menina esperando, uma mulher aguardando... Uma guerra que tira vidas, uma morte que determina o compasso de espera.
E as situações continuam a suceder-se, tal estações... Tal ritmo da terra, geotérmico, por convulsões e arrotos da matéria. Até que o esperado momento resolve deslindar-se, e é um aqui e agora. E um esperar pela próxima eternidade.
E nesses movimentos... Peristálticos do coração, atabalhoado de saber e sentir, que a vida se desenrola. Que o ciclo começa, continua e acaba. Uma e outra vez.

07 Março 2012

Understanding human nature...


... É sintomático  
Consumir álcool, cigarro, homens, mulheres....
Pode vir tudo do mesmo lado,
O preenchimento de qualquer coisa, a agressão ao self confuso e revoltado
E frustado... de não estar a fazer o que gosta,
De não estar satisfeito.
Este é o ano das pessoas perceberem o que gostariam para o seu futuro,
Mesmo em termos profissionais, e principalmente em termos profissionais...
Trabalho não deve ser obrigação.
A 'alma' dá-nos indicações e inspirações várias vezes ao longo da nossa vida, em relação ao que viemos cá fazer.
O facto de nos nao ouvirmos, ou recusarmos esse 'chamado',
Faz com que vivamos miseravelmente
Mesmo tendo tudo a nossa volta.
Tudo aquilo que te inspira, que te move, ao qual dedicas o teu tempo voluntariamente, aquilo que sonhas, que idealizas, que projectas... é a tua verdadeira realidade e a qual tens de conquistar.
O mundo é dos ousados,
Que mesmo com opiniões alheias, críticas e julgamentos, seguem o seu caminho,
Aquilo pelo qual vibram internamente.
É abandonar todos os conceitos, preconceitos, do que deve ser a vida, as relações, a tua profissão.
Isso está a ficar completamente ultrapassado. 
E aí as pessoas sentem-se perdidas...
Já não há o conforto do 'é assim que a vida deve de ser'.
Romperam-se os tradicionalismos e os conformismos...
E agora, o que fazer em relação a isso?

20 Julho 2011

Não, não somos uma ilha

Nem conseguimos sê-lo. Pais, amigos, namorados, tudo nos afecta. Desenvolvimento pessoal? Isso é para os novos e arrojados! 'Nós não temos tempo para isso!' gritam os remediados e (in)conformados. Dá medo, é a-me-açador. Fiquem-se com as velhas mágoas! As velhas (e novas) revoltas! 'E o que é que eu posso fazer???', tudo é uma roleta russa, as circunstâncias são externas, eu não tenho culpa... Sou só vítima das circunstâncias!


Espera lá...

Pára tudo!

Então eu sou vítima?

Vítima é sofrer de um terramoto, um furacão, um maremoto, um naufrágio, uma explosão de gás...

O que faço depois - ou como reajo - é que faz de mim vítima ou não! Todos os dias há uma oportunidade de mudar a nossa vida para melhor. Todas as noites nos é retirado um dia de vida... O que fazemos com o dia seguinte só nos cabe a nós decidir. Pesem o que pesem as ponderações...

Flexibilidade mental, plasticidade é o que se requer. Integrar as novas experiências, as novas frustrações, revoltas, incompetências, impotências... Aprender, aceitar, INtegrar.. ULTRApassar. E não se ficar pelo mesmo velho esquema, cansado e repetitivo de ver o mundo.


27 Junho 2011

4 anos

E 25.000 visitas :)

Obrigada!

*Meio paradinha por aqui, but still alive and kicking guys!

Diz o leão no topo da colina

"Aqui está a paisagem que faltava para completar o teu mundo interno. O Nada como lhe chamaste, para onde olhavas e nada vias, apenas um vazio, uma parede em branco. Mas hoje ousaste questionar-te e pisar a fronteira do teu inconsciente. Talvez farta do mesmo horizonte, do nascimento e renascimento, da fase da infância... Esse mundo interno está ultrapassado, passaste de menina para mulher, donzela, virgem e agora... Adulta, a agarrar as amarras da própria vida, cruzar o deserto. E é esse o Nada representado na tela da tua mente. Vês uma paisagem gelada, cheia de obstáculos, sozinha, dura a viagem. Mas depressa percebes que afinal há prados e pradarias, verde e árvores, e passarinhos a piar alegremente, e nem só de tristezas se faz a viagem da tua vida, pequena. E percebes finalmente que afinal colhes pequenas alegrias pelo caminho e que vale a pena viver e percorrer essa estrada da tua vida. Deste o passo, e agora não há volta a dar... Escolheste cruzar o deserto da tua vida, colhendo pequenas alegrias, umas vezes feliz, outras triste, mas percorrendo... Em frente, estágio último da tua jornada aqui na Terra. Lá ao fundo só contemplo a luz... Dourada, e aí sim é o término da viagem e aí sim, conseguiste. Mas deste o passo pequena... E falta pouco, é só este troço... Para depois te banhares nessa luz morna que brilhará dentro de ti, para sempre."

20 Junho 2011

A ponte entre o desejo e o horizonte

Toda eu sou desejos. E horizontes. Que não se encontram, não conciliam, não congregam esforços para se encontrar. Não estão destinados... E sigo construindo pontes onde não há horizontes e onde os desejos são cegos, como o céu da noite; indefinidos. Querer por querer... E as pontes alcançam alturas incomensuráveis para o inicialmente projectado. E eu não percebendo... Onde encalho, onde corre mal a construção, que de repente, se deslinda sobre um rolar de tijolos e cimentos e eu caio estatelada no chão sem perceber, onde errei? Que projecto foi mal concebido? Em que estrutura, em que base? Que infundamento ocorreu? 
E o sonho continua, por uma nova ponte, que me levará sabe-se lá por que caminhos, porque conjunturas astronómicas e outras que tais, mirando o firmamento, agarrada ao orçamento que decidi gastar naquele sonho e onde por vezes esbanjo demais, ou por vezes nem um centavo invisto, ou desisto a meio sem me lembrar já do inicialmente projectado. E tudo são fábulas, rábulas e sátiras onde me rio da minha própria queda por abismos insofismáveis, de contornos adocicados e acidulados que têm flores e florestas pelo meio. Porque entre a de-pressão, há sincronicidades que se juntam, que se misturam aos cheios dos devaneios, e logo me encontro, sentada sobre uma pacata poltrona de segurança e crença no futuro, que novamente se esfarela e me faz cair em novos abismos, cada vez mais escabrosos ante a minha face de incredulidade com todas as quedas, que de tão repetitivas, são ridículas... De cada vez que delas me apercebo. 
E depois de tudo isto, o repasto, o perceber que está tudo bem.
Só tens de voltar a tentar...

17 Maio 2011

Memories of sisterhood

«Não, não é confuso... Se eu não fosse verdadeiramente tua amiga acharia que estavas louca. Mas abateu-se-me agora uma verdade verdadeira. Eu gosto mesmo muito de ti e somos mesmo sister, pois eu não duvido um pouco de ti nesse aspecto e aprendo muito contigo...»

«Opa que maravilhoso ouvir isso, porque quando uma evolui... a outra evolui junto! É essa a beleza do grupo de almas que nos acompanha... Às vezes aprendemos as lições que precisamos através das outras pessoas... E quanto eu menos te julgo por exemplo, e mais te aceito, mais tu evoluis e expressas a tua própria verdade neste mundo!»

I (L) U sis! Quando tu cresces eu cresço contigo, e somos a mesma massa do avesso... Onde eu começo tu acabas, ou vice-versa*

16 Maio 2011

Teatro estático

Tal e qual um teatro mudo, natural e estático, estavam duas árvores contorcidas uma sobre a outra, como que retidas num repentino gesto; num qualquer frenicoque teatral, debruçadas uma sobre a outra, como que levadas por um temporal tão forte que as deixou dobradas e vergadas para sempre naquela pose... Uma pose de tempestade... De discussão dançada, de gritos e gestos mudos, de pretensa intensidade, de pretensa nudez, de zangas ensaiadas... E assim estão elas, as duas, tal corpos contorcidos num qualquer difícil exercício de dança contemporânea, a expressar uma emoção.
E o comboio passa... E o teatro mudo continua, a ensaiar gestos de sempre, sensações de sempre, esquecidas perdidas no tempo.
E as pessoas passam, as estações e equinócios precedem-se, há quem repare, há quem não... E assim é a nossa vida, feita de pequenos nadas, que muito ou nada podem significar. E ou são testemunhados, ou não... Mas a beleza esconde-se nos cantos mais recônditos de cada experiência.
E o comboio passou. Mas eu vi.

Alive and kicking...

Mas muito pouco mental, ou com muito pouco tempo! Quando dou por mim são 23h ou 00h e quero é relaxar... Em falta de tempo para o meu reiki + meditação ou chillar no sofá! Com muito para dizer é vero, mas words don't come easily nowadays, ou simplesmente muito me ocorre mas pouco fica registado para a posteridade...

Anyway! Não que isso interesse para alguém. Mas hey, estou viva e bem viva :) A aprender muito para um dia escrever um livro ;)

Beijocas mon amoures!

28 Março 2011

Primavera-Outono

... Esse amor é baseado na liberdade, não em expectativas nem na necessidade. Em suas asas, somos levados cada vez mais alto em direcção ao amor universal, que vivencia tudo como uma coisa só...

Os pássaros piam, chilreiam, as abelhas andam numa azáfama diante das árvores em flor, e da radiância dos campos, as pessoas andam mais bem dispostas; as folhas caem, dando lugar a uma paisagem verde-musgo e castanha, alaranjada... O horizonte tinge-se daquele cheiro de quem vai chover, e nós ficamos mais introspectivos.

A vida dá-se nesses entretantos. Depois da chuva vem sempre o céu claro. Depois do inverno vem sempre o verão. Mas há sempre estas estações intermédias que adoro. O novo está ao virar da esquina, espera-se, acredita-se e deseja-se. Por dias mais frescos... Por dias maiores e mais quentes. No calor da lareira, no sol da praia, tudo são vivências e estados de espírito.

O pessegueiro em flor ali está, dizendo 'Olá, a Primavera chegou! Já estás pronta para abraçar o Calor? A Luminosidade, a tua Luz? Está tudo aí... Todo o poder que um dia te quiseram subjugar porque de ti imaginaram uma bruxa, uma pecadora. Muitas foram as existências, é verdade, em que isso aconteceu. Tiveste de te esconder durante eras, engolir esse poder, essa divindade, a tua Liberdade. Sofreste castigos de pele, de músculo e osso. Sofreste a fogueira, o afogamento, a perseguição. Fugiste de livro sagrado debaixo do braço, foste caçada, torturada, destrinçada... Ninguém deve temer a própria luz... Esta é a Primavera da tua alma. A fruta está madura, as flores mostram que esse é o próximo passo: está tudo pronto criancinha! Atreves-te a Brilhar? Mostrares-te ao Mundo? A fruta está madura...'

Primavera-Outono, alvorada da minha alma... Cavalgada do meu sentir. O inverno é apenas a preparação.

21 Março 2011

Feelin like...


Faint light of dawn 
I'm listening to you breathing in and breathing out 
Needing nothing 
You're honey dipped 
You are beautiful, floating clouds, soft world 
I can't feel my lips 

Then all of that's annulled and I'm anyone's everyone's 
We are one 
Your face becomes the sun 
And I'm addicted to the joy that the little things 
Those little things 
The little things they bring 


Don't bring me down
Sia

06 Março 2011

O tempo

Quanto tempo tem? Um dia ia a passar de comboio por uma estação. Vi as pessoas a subirem e a descerem aquelas escadas das pontes de passagem. E pensei em quantos momentos de desatenção nos perdemos... Aquelas escadas representam uma passagem para nós. Movimento. Rapidez, chegar a casa, chegar ao trabalho, encontrar um velho amigo, reencontrar a família. Olhamos ao relógio, estamos atrasados. Ou estamos perdidos... Não interessa. Não nos detemos. Fechamos os olhos na almofada, e mais um dia passou... Relembramo-nos de velhas histórias, sonhamos com novas histórias, e quanto tempo passou entretanto? Não interessa... Mais pessoas vão subir e descer aquela escada. Mas pessoas não se vão deter naquele momento de passagem, de impasse. Just breathe... Just feel. Consegues sentir...? Consegues perceber...? A paragem... O Nada... O aqui. O agora... Nada pede... O passar do vento... O frio na cara, os pássaros ao longe... Hey, existe a natureza lá fora... O intemporal... A rotatividade das estações, do eixo da terra, do universo... E nós continuamos aqui... E nós continuamos a respirar... Mas não, não o percebemos... Não nos detemos, nada importa. Apenas o chegar a Casa...
E que casa é essa...? A todos os momentos a escolha: o chegar a casa é agora. O chegar ao nosso Coração... À intemporalidade que nele habita...
So... Just breathe... O momento é agora.

Na sensibilidade

está a força de um homem... Há homens que nos pertencem, que nos fazem pertencer... Ao momento em que nos tocam, ao momento em que nos beijam a testa e nos abraçam calorosamente. Nesse abraço está a força de um homem, a sua genuinidade, a sua sinceridade e a sua profundidade. Tal como umas raízes robustas que escavam o nosso interior para permanecer.
E nós sentimos o seu respirar... A sua calma, a sua intemporalidade, a sua permanência. Quem sente assim veio para ficar. 
Um cheiro... Um sentir... Quando nos tocam assim, sabemos que sim.

When nothing seems to happen...

Tudo acontece. Nos pequenos nadas, nos momentos em que nada é dito, nos momentos de contemplação. Nos momentos em que simplesmente paramos para sentir, mesmo quando isso acontece sem querer... Uma viagem de comboio, um filme. Há filmes onde nada de importante parece acontecer, and yet, é aí onde tudo se processa. Vão rebuscar-nos memórias de infâncias, velhos quereres, velhos ditados, velhas recordações, contudo, tudo muito vivo... Brilhando dentro de nós. O subir de uma árvore, o latir de um cão, um animal de estimação antigo, o baú das recordações, aquela caixinha onde guardamos os nossos pertences mágicos. E aí é onde nos tocam esses filmes... O sótão das memórias, as caixas antigas, o velho relógio de parede, o cuco... A garagem com os seus pertences guardados, a primeira melhor amiga, os segredos contados no vão da escada... The Tree, um filme que acabei de ver.

28 Dezembro 2010

Formatação condicional vs Amor incondicional

Vi estas duas palavrinhas juntas no Exel: Formatação condicional. Automaticamente me remeteu para aquilo que muitas vezes vivemos. Somos formatados a acreditar em determinadas coisas, a vestir de determinada forma, seguir determinados ideais, pensar de determinada maneira... "Formatados" é a palavra. O que é a realidade senão aquilo que nos dão a beber e a comer desde pequenos?
Condicional... Significa ou implica algum "condicionamento". Como tal, mais formatação. Visto que condicionar é nada mais nada menos do que de uma massa disforme, alargada, difusa e fluída, tornar em algo compacto, igual, rotulado, embalado e pronto a expedir, a ser "consumido" pela sociedade, tal carne num talho, tal como fazem aos bezerros e porcos não livres deste mundo.
Seremos nós carne para re-venda? Vendidos a retalhos por vezes... Com aqueles rótulos enganosos - querem-nos sem considerarem a nossa verdadeira essência, sem alguma vez se questionarem sobre a validade e a qualidade do alimento que depressa adquirem, julgando-o pelos seus padrões do que  é bom ou não, faz bem ou não.
Ludibriados, iludidos, julgamo-nos em segurança, com livros editados sobre patologia e psicopatologia. Quão seguro é um mundo onde se agrupam em normais e em psicopatológicos! Se eu sei que trabalhas, estás inserido na sociedade, fazes os teus descontos, vives perto de mim, frequentas mais ou menos os mesmos sítios que eu, então olha! Somos amigos e sei tudo sobre ti.
E somos todos bichos... Vivendo de aparências.

Mas


      de repente


                    imagina


                              que isso é apenas uma parte do todo?


Olha de novo...


E VÊ!

A felicidade... Justifica-se?

Quando estamos felizes, contentes, rejubilantes, ninguém nos vem com teorias sobre o porquê de estarmos felizes, que "faz parte do processo", que "precisamos trabalhar" isto e aquilo para não nos sentirmos assim. Significa que quando estamos felizes, estamos perfeitamente bem. Já quando estamos tristes, decepcionados, magoados, frustrados e revoltados alto e pára o baile! Já está tudo errado, e chovem opiniões, conselhos e teorias sobre o facto de nos estarmos a sentir assim... Então, estou confusa...? Não faz tudo parte do processo? Não está tudo perfeitamente na sua ordem divina? Não faz tudo falta para o nosso crescimento? Então para quê tanta reviravolta sobre tais sentimentos? Para quê tanta agitação ante a tristeza e a mágoa? Para quê tanta reacção a ela? Hmmm algo estranho se passa aí... Será que quem se deleita em discorrer sobre teorias do crescimento e evolução, não se estará a identificar com o sofrimento alheio, tomando-o como seu para explicar-se a si próprio/a...? Cada vez sou menos tolerante a estas projecções de tuta-e-meia... A mim não me ajudam no crescimento não. O que eu preciso, nesses momentos, é nada mais nada menos do que Aceitação.
Já parámos alguma vez para nos indagarmos o que o Outro precisa? Não é o mesmo do que Nós precisamos...